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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
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10-09-2008 | 12:19
Governo deve conter os gastos e não aumentar juros, segundo Ricupero
Ex-ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, o economista Rubens Ricupero defende que o Banco Central não deve aumentar a taxa de juros. “O mais plausível seria o Banco Central manter o atual nível, esperar mais um pouco. Se há dúvida em relação à pressão que está ocorrendo nos preços da prestação de serviços, é melhor dar uma pausa e não agravar anda mais, com um novo aumento da taxa”, disse o ex-ministro, que participou hoje (9) do seminário Crescimento com Distribuição de Renda, em comemoração aos 200 anos do Ministério da Fazenda.

Ricupero disse ainda que o governo deve evitar uma situação de “vulnerabilidade”, com o aumento dos gastos em níveis acima do crescimento da economia. “Acho que no momento é preciso procurar evitar uma situação de vulnerabilidade. Por exemplo, acho que o governo deveria ter muita atenção e não continuar o aumento dos gastos no ano que vem a um ritmo superior ao crescimento do economia. Isso poderia dar nos trazer surpresas”, alertou Ricupero.

A tarefa de barrar a inflação, na opinião do ex-ministro, não pode ficar a cargo somente do Banco Central. Ele chegou a citar a possibilidade de se rever o prazo de financiamentos. “É importante que não se deixe apenas a política dos juros do Banco Centra com a tarefa de tentar moderar esse consumo. Deveria haver medidas, que eu vi que o ministro [Guido] Mantega já cogitou, de rever prazos dos créditos para reduzir um pouco a demanda”, destacou o ex-ministro. “A meu ver, o ministro Mantega está consciente disso e, no momento oportuno, fará as mudanças”, completou.

Ao sair da palestra, Ricupero salientou que houve um alívio nos preços dos alimentos e alertou que existe uma fuga de capitais do país, que já se expressa nas negociações da Bolsa de Valores, o que deveria servir como sinal de alerta.

“Já ontem a bolsa já estava descolada do que estava acontecendo nacionalmente. Acho que a explicação básica disso é que muitos fundos que tinham investido no Brasil estão agora vendendo suas posições, porque estão precisando de recursos fora do Brasil. Esse é o fenômeno que os economistas chamam de ‘desalavancagem’. Como a situação internacional é complicada e ainda se teme que haja outros esqueletos, além do que foi revelado domingo pelo governo americano, eles estão se retirando investimentos da bolsa brasileira e, com isso, sai um volume muito considerável de recursos”, analisou o ex-ministro.

A segunda razão para que o Banco Central não aumente os juros, destacada por Ricupero, é que o crescimento da economia tem sido puxado pelo consumo interno. “Como nossa economia está crescendo, sobretudo puxada hoje em dia por fatores internos e não pelo comércio exterior, ela cresce basicamente por causa do consumo, tanto das famílias , como do governo”, disse o ex-ministro.

Ao participar do seminário que reuniu muitos dos que passaram pela pasta da Fazenda, Ricupero destacou o controle da inflação como grande feito da economia brasileira. “O desafio da inflação ficou pra trás”, disse Ricupero, que conduziu a pasta da Fazenda de março a setembro de 2004.

“Esse desafio ficou pra trás. Acho que temos aqui economistas que participaram de duas vertentes de uma curva pela qual passou a economia do Brasil. Uma descendente, na qual o Brasil sempre caminhava para trás, sempre caía. A outra, ascendente, que é a que nós estamos vivendo agora”, destacou.

Ricupero teve que deixar o ministério devido ao desgaste de ter dito que “o que é bom a gente mostram o que é ruim a gente esconde”. A frase foi proferida em um momento em que o ministro se preparava para uma entrevista e acreditava que as câmeras estavam ainda desligadas.

O economista se situou na fase descendente da economia e, segundo ele, em sua fase mais crítica. Ele confessou ter sentido medo de aceitar a pasta da Fazenda. Na época, Ricupero era ministro do Meio Ambiente. “Itamar queria que eu fosse para Fazenda. Eu não queria, não por humildade, mas por medo”, destacou.

Na opinião do ex-ministro, o clímax dessa curva e o fator que determinou sua reversão foi o lançamento do real. O grande sucesso da nova moeda, de acordo com Ricupero se deu mais em função da aceitação da sociedade.

“O Plano Real teve a vantagem de valorizar a mediação com a sociedade e usou uma linguagem singela, objetiva, clara, proporcionando informação, evitando o uso do ‘economês’. Demos informações e isso sem agências de publicidade. O que foi importante naquela época foi que a nação se converteu a idéia de que a estabilidade monetária era importante”, lembrou.


“Seria paternalismo dizer que nós ensinamos. Não foi assim. As pessoas já sabiam de forma confusa. Nós só tornamos essas idéias claras, explícitas”, disse o ex-ministro. A calmaria das agências bancárias no dia do lançamento do plano veio como um alívio para a apreensão do ministro.

“Naquele primeiro de julho de 1994 percorri várias agencias de Brasília e das cidades satélites e vi que estava tudo calmo. Foi uma sexta-feira. Nós tínhamos até planejado abrir os bancos no fim de semana para evitar tumultos e vimos que não havia mesmo necessidade, pois no Brasil todo o que ocorreu foi um clima de tranqüilidade. A sociedade entendeu porque teve informação clara. Não teve medo de confisco, de medidas arbitrárias e mirabolantes”, disse o ex-ministro.

Ricupero ainda destacou que para a formação do Plano Real muitos conhecimentos e erros dos planos lançados até então foram aproveitados. “As pessoas que passaram pela experiência do cruzado aprenderam alguma coisa”, destacou.

 

Fonte: Olhar Direto


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